07/11/2017

683 - Um mar uma gaivota



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As lembranças doutra luz.
Nem luz seria, apenas outro olhar

do poema "Que diremos ainda" de Eugénio de Andrade
 

01/11/2017

681 - Defeitos (Im)perfeitos



Nem tão doce quanto possam pensar
nem tão ácida quanto gostaria
Curiosa, desconfiada, temperamental e teimosa
Tenho coração mole, sangue quente
e insisto na mania de acreditar em 
sonhos
finais felizes
e pessoas sinceras





30/10/2017

680 - Indicios Outonais



Os meus olhos
Apagados, ausentes
São lagos de ilusões desfeitas

679 - Mulata é a noite









Como eu
A noite nasceu mulata
Na escuridão da cubata
É pecado de subúrbio

Mulata
É distúrbio no musseque
E a lua é pé de moleque
Que adoça a provocação

A noite
É como pano de chita
Que foi esteira de rebita
Deixou missanga no chão

Como eu
A noite é bronze maciço
Liga de prata e feitiço
Gosto de açúcar mascavo

A noite
Tem um travo de maboque
E a mulata é um retoque
Na polpa da natureza

Mestiça
É estrela de bairro pobre
É barro que imita o cobre
Torneado de surpresa
Como eu, como eu



A música, creio ser muito antiga já, mas desde a primeira vez que a ouvi, simplesmente adorei. A qualidade musical não é das melhores, mas não a encontrei cantada em melhores condições, e o que importa, para mim, é onde ela me leva.